Um interlúdio é a pausa entre duas partes — nem o que veio antes, nem o que vem depois. Cúpulas, água parada e ondas dividem esse mesmo intervalo de silêncio.
Habitar o interlúdio é ficar no vão: embaixo de uma cúpula, à beira de um lago, no meio de uma onda — o instante entre um lugar e o próximo.
Em um mundo marcado por ruídos constantes e fluxos acelerados, Habitar o Interlúdio propõe uma pausa. O projeto fotográfico de Fred Lamego é um convite à contemplação e ao reencontro com o silêncio — não apenas como ausência de som, mas como estado de presença.
As imagens, capturadas em lugares diversos — de Macapá a Tóquio, de Óbidos a Jerusalém — estabelecem uma geografia emocional guiada pela luz, pela quietude e por uma poética do sagrado cotidiano. Cada fotografia é um interlúdio, uma fresta no tempo que nos permite respirar.
A serenidade que emana dessas paisagens não é passiva; ela transforma. Propõe um olhar que não se impõe, mas repousa. Ao percorrermos esses espaços, compreendemos que a paz habita o intervalo entre o olhar e o sentir. Basta, como nos lembra o autor, olhar.
— Léo Tavares, curador